as cruzadas
A Cruzada do Povo (não Oficial)
Também conhecida como:
A Cruzada dos Camponeses
A Cruzada dos Mendigos
A Cruzada Popular
- Pedro, o Eremita.
Uma figura impressionante como tantas outras na Idade-Média, Pedro era de descendência nobre e servia aos condes de Boulogne, cidade do condado de Flandres e futuros heróis da primeira cruzada. De natureza ardente, mística e puritana, logo se aborreceu das armas, do mundo e da própria esposa. Resolveu ser um eremita. Mas, um religioso com vontade de ser santo, precisava fazer uma visita a terra santa e conhecer o lugar onde Jesus Cristo fora crucificado. Partiu em visita ao Santo Sepulcro e sentiu na pele o sofrimento dos cristãos que iam a cidade tomada pelos Turcos.
Resolveu que libertar Jerusalém era sua causa, já com seu ardor religioso ao extremo, de volta, pediu uma audiência ao Imperador de Constantinopla, Alexis Comneno. Que recebeu aquele esfarrapado fanático religioso e escutou sua idéia de tomar Jerusalém a força. Alexis, temia os turcos que se organizavam e começavam a aterrorizar a todos, encontrou nesse homem uma forte chance de conseguir aliados para expulsar seus inimigos de frente do seu portão. Deu total apoio à idéia de Pedro, e o recomendou ao Papa Urbano II.
Em Roma, Pedro O Eremita, que já trazia atrás de si uma multidão. Foi recebido pelo Papa, que achou bem oportuna sua visita. Urbano II, sabia o que estava acontecendo em Jerusalém, e fazia parte de seus planos convocar um grande exército de cristãos para libertar Jerusalém do poder dos infiéis. Revivendo o sonho de Hidelbrando, o papa anterior, que chegou a alistar 50.000 cavaleiros sob a bandeira de São Pedro. Mas não conseguiu levar a termo seu grande projeto. Urbano II, consentiu que Pedro, o eremita, saísse e pregasse para o povo, enquanto ele próprio falava com os nobres.
Tudo parecia caminhar em favor de Pedro, pois os reis Felipe I da França e Henrique IV da Alemanha, pela vida de luxúria que levavam, foram excomungados e o povo seguia o eremita, com seus discursos inflamados."Com seu crucifixo á frente, ia ele á cabana do pobre como o mais rico castelo e ao mais luxuoso palácio, chamando todos ao mesmo tempo ao arrependimento e as armas para realizar a soberana vontade de Deus." Atravessou a Itália e a França, impressionando quem o visse. "Ia ele descalço, levava sobre a pele uma túnica de lã, e um longo hábito. O pão era seu único alimento, com um pedaço de peixe, às vezes. Nunca bebia vinho... Algo de divino sentia-se em seus menores movimentos, em todas as palavras; chegava a ponto do povo arrancar, para guardá-los como relíquias, os pelos do mulo que ele montava...
"Durante suas viagens, Pedro encontrou um pobre cavaleiro chamado Gauthier Sans-Avoir (Valter sem tostão - Gualtério Sem-Posses - Gualtério Sem Nada) e fez dele o general de seu exército do povo. Que crescia a cada cidade que passavam."... Os condes e os cavaleiros pensavam ainda nos seus preparativos e já os pobres faziam os seus com tal ardor que nada podia deter... todos deixavam as suas casas e a sua vinha, o seu patrimônio, vendiam-nos a baixo preço e partiam alegres... Apressava-se em converter em dinheiro tudo o que não podiam levar durante a viagem... Pobres ferravam os bois como cavalos e atrelavam-nos a carretos em que colocavam algumas provisões e seus filhinhos, que arrastavam atrás de si. Essas crianças, assim que percebiam um castelo ou uma cidade, perguntavam logo se era ali essa Jerusalém para a qual caminhavam...
"Uma massa de 17.000 pessoas ignorantes, camponeses, (homens, mulheres e crianças) sem organização, sem sistema de abastecimento, pobremente equipadas e sem experiência militar, partiu em 1095 rumo ao oriente. Partindo de Colônia, Pedro os guiou desde o Reno até o vale do Danúbio. Mas o número de pessoas e as necessidades, produziram a separação do exército em duas divisões. Gauthier comandou a vanguarda com 3.000 cavaleiros. Os peões vinham atrás, numa proporção de um soldado para mil pessoas comuns. A multidão atribuiu inspiração divina a um pato e uma cabra que passaram a marchar na frente. A barbárie começou antes mesmo de entrarem em território inimigo e as primeiras vitimas, foram as colônias de judeus existentes no caminho. Todos eles tinham seus lares saqueados, os homens mortos, e as mulheres eram prostituídas sob a invocação de Cristo.
"Os judeus mais felizes foram os que conseguiram se jogar nos rios mais profundos, com suas famílias e seus bens, e morrer afogados, sem vexame.
"Na Hungria, o povo incontrolável quis repetir a violência. Exigiram comida e quiseram impor condições. Os húngaros porem, recorreram às armas e o povo, sem preparo nenhum para a guerra foi massacrado. Um terço apenas conseguiu escapar com vida quando Pedro, o eremita, os levou para as montanhas de Trácia. De lá, os conduziu para Constantinopla onde poderia contar com a proteção do amigo Imperador. Aguardando a chegada do resto do exercito de Urbano II dentro de Constantinopla, recomeçaram os seus saques e arruaças. O imperador Alexis Comneno aconselhou Pedro e Gauthier, com muita habilidade, que tomassem a outra margem do Bósforo e os embarcou para a Ásia menor.
Uma vez em território inimigo, um espião de Soliman, o turco. Que já sabia da vinda dos inimigos, fez correr a notícia que sua capital havia caído em mãos cristãs. Mesmo sem saber ao certo onde era essa capital, o povo sedento de saques e rapina, partiu. O plano de Soliman, era levá-los até a planície de Nicéia. Onde de fato, foram atacados e exterminados pelo exército turco em Civitot. Assim começou a cruzada, que isso antes mesmo que os nobres tivessem sequer terminado os seus preparativos.
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