O outro lado
Papa Clemente V (Bertrand de Got)

Papa de 1305 a 1314; nascido em Villandraut (Gironde), na França, em 1264.
Em 1309, o papa fixou residência em Avignon, cidade ao
sul de França, alegando ser essa localização mais adequada do que Roma para administrar a igreja, pois a França era politicamente mais
importante, devido as pressões de Filipe, o Belo.
A sede do papado
manteve-se em Avignon por 70 anos (1307- 1377), episódio que ficou conhecido
como Cativeiro de Avignon. Morto em 30 de Abril de 1314 em Roquemaure, na Provença, por ingerir esmeraldas reduzidas a pó (para
curar sua febre e um ataque de angústia e sofrimento), que provavelmente
cortaram seus intestinos. O remédio foi receitado por médicos desconhecidos
(?), quando o papa retornava a sua cidade natal. Clemente V deixou uma notável coleção de leis canônicas, as Clementinae, e fundou na Europa várias cátedras de línguas asiáticas.
Guilherme de Nogaret (Guarda-Selos do Reino)

Descendente de cátaros,
era o oficial chefe de Filipe IV e principal conselheiro, arquitetou as acusações contra os Templários.
Nogaret já havia cometido ações
contra Bonifácio VIII: (seqüestro e espancamento) - Bonifácio VIII (Benedetto Caetani) - Papa de 1294 a
1303; nascido em Anagni, entre 1220 e 1230. Dedicou-se ao estudo de Direito,
sendo considerado, quando cardeal, eminente jurista e hábil diplomata.
Convenceu o Papa eremita Celestino V a renunciar, sendo eleito em seu lugar.
Entrou em choque com Filipe, o Belo; quando promulgou a bula Clericis Laicos,
proibindo o clero de pagar impostos sem autorização papal. Depois de 1300,
cresceram as dificuldades entre Bonifácio VIII e Filipe, o Belo; que falsificou
bulas e pôs os franceses contra o Papa. Guilherme de Nogaret, aliado a dois
cardeais da família Collona, recruta na Itália um exército, e assalta o Palácio
Anagni. Lá o Papa em seus 86 anos, dentro de seus aposentos sacerdotais,
intimado a renunciar o papado teria dito: ''Aqui está meu pescoço, aqui está
minha cabeça: morrerei, mas morrerei papa!''. Foi esbofeteado por um dos
cardeais Collona e excomungou Guilherme de Nogaret. Permaneceu prisioneiro por
dois dias, até que a população o socorreu. Regressando à Roma, enlouqueceu
devido ao golpe e morreu blasfemando depois de quatro meses (11 de outubro).
Diz-se que morreu envenenado, fato que se atribui a Nogaret.
Envenenado por uma vela, feita por Evrard, antigo Templário, com a ajuda de
Beatriz d'Hirson (dama de companhia de Mafalda d'Artois, mãe de Joana e Branca
de Borgonha e tia de Margarida de Borgonha, esposas de Filipe, Carlos e Luís,
respectivamente, filhos de Filipe, o Belo. Era também tia de Roberto d'Artois,
um dos muitos amantes de Isabel, filha de Filipe, o Belo; cuja De Molay era
padrinho de batismo). O veneno contido na vela era composto de dois pós de
cores diferentes:
- CINZA: Cinzas da língua de um dos irmãos d'Aunay (que foram queimados por
terem traído Carlos e Luís com suas respectivas esposas). Elas tinham um
suposto efeito sobrenatural para atrair o demônio.
- CRISTAL ESBRANQUIÇADO: "Serpente de Faraó". Provavelmente
sulfocianeto de mercúrio. Gera por combustão: Ácido sulfúrico, vapores de
mercúrio e compostos anídricos; podendo assim, provocar intoxicações tanto
cianídrica, quanto mercurial.
Morreu vomitando sangue, com câimbras, gritando o nome dos que morreram por
suas mãos.
Rei Felipe IV, O Belo

Rei da dinastia Capetíngea. Filho de Isabel de Aragão e Felipe III, "o ousado". Casado com Joana de Navarra. Foi excomungado por Bonifácio VIII, excomunhão que foi levantada por Clemente V. Saiu a caçar com seu camareiro, Hugo de Bouville; seu secretário particular, Maillard e alguns familiares na floresta de Pont-Sainte-Maxence. Sempre acompanhado de seu cães. Foram em busca de um raro cervo de doze galhos visto perto ao local. O rei acabou perdendo-se do grupo e encontrou um camponês que livra-se de ser servo. Deu-lhe sua trompa como presente por tê-lo ajudado a localizar o cervo. Achando-o e estando pronto a atacar-lhe, percebeu uma cruz (dois galhos que se prenderam nos chifres do cervo) que brilhava (o verniz do galho que reluzia ao sol). Começou a passar mal, não consegui chamar ninguém, pois
estava desprovido de sua trompa. Sentiu um estalo na cabeça e caiu do cavalo. Foi achado por seus companheiros e levado de volta ao palácio, repetindo sempre - "A cruz, a cruz..."e sempre com muita sede. Pediu como o Papa Clemente em seu leito de morte, que fosse levado a sua cidade natal; no caso do rei, Fontainebleau. O rei ficou perdido no seu interior, parecendo um louco, durante uns doze dias. Era dito aos que perguntavam dele, que tinha caído do cavalo e atacado por um cervo. Filipe foi levado a fazer um novo testamento e foi instigado por seus irmãos: Carlos de Valois e Luís d'Evreux, a escrever o que eles queriam. Logo após terminado, sempre com sede, faleceu.
Diz-se que Irmão Reinaldo, Grande Inquisitor de França, que acompanhou o rei em seus últimos dias, não conseguiu fechar suas pálpebras, que se abriam novamente. Foi assim, em seu velório, necessária uma faixa que cobrisse seus olhos.
Segundo os documentos e relatórios de embaixadores de que se dispõe, Chega-se
a conclusão de Filipe, o Belo, sucumbiu a uma apoplexia cerebral em uma zona não
motora. A afasia do início pode ter sido devido a uma lesão na região da base
do crânio. Teve sua recaída mortal por volta
de 26 de novembro, vindo a falecer em 29 de Novembro de 1314.
Conclusão
Com a morte de Filipe, o Belo; seu filho Luís sucedeu-o. Luís de Navarra;
chamado Luís X (1289- 1316), reinou de 1314 à 1316 quando morreu. Deixou um
filho, que nasceu logo após de sua morte, chamado João I; que foi assassinado
por Mafalda d'Artois.
Assim o reino passou para seu tio, Filipe de Poitiers. Filipe V, o Alto (1294-
1322), reinou de 1317 à 1322. Morreu sem filhos homens.
O reinado passa ao irmão mais novo, Carlos. Carlos IV, o Justo (1295 - 1328), reinou de 1323 à 1328. Ajudou sua irmã, Isabel a depor seu marido, Eduardo II, do seu reinado na Inglaterra. Morreu sem herdeiros. O reino assim caiu sobre a casa dos Valois. Acabando assim a dinastia dos Capeto (987 d.C. - Hugo Capeto até 1328 d.C. - Carlos IV). A maldição de Jacques DeMolay cumpriu-se dentro do tempo estipulado, os três condenados morreram em menos de um ano. Decorreram-se nove meses desde a morte de Jacques até a morte de Filipe, o Belo.